Há quem chore durante uma discussão, diante de uma cena de filme, ao ouvir uma música ou simplesmente ao tentar falar sobre algo que provoca uma emoção mais intensa. Para algumas pessoas, as lágrimas parecem surgir com facilidade, enquanto outras conseguem passar por situações semelhantes sem chorar.
Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Evolution and Human Behavior aponta que lágrimas emocionais podem ocorrer tanto em acontecimentos negativos quanto positivos, como situações de sofrimento ou de conquista. Os autores destacam que a produção de lágrimas e as reações provocadas por elas dependem de diferentes processos envolvidos na avaliação das experiências. Por isso, chorar com frequência não é, sozinho, um sinal de que existe algum problema psicológico.
Segundo a psicóloga Andréa Mazariolli, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP, o choro pode ser compreendido como uma resposta do organismo a uma emoção que atingiu um nível de intensidade difícil de administrar, funcionando como um mecanismo homeostático que engloba alterações faciais, vocais e respiratórias. Segundo ela, o choro pode surgir tanto diante de emoções positivas quanto negativas e fazer parte da autorregulação emocional.
As lágrimas também funcionam como forma de comunicação: podem sinalizar que uma situação provocou uma reação emocional importante, o que ajuda a explicar por que despertam comportamentos de aproximação, acolhimento ou preocupação em outras pessoas. A psicóloga Alana Anijar, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, explica que chorar com facilidade não significa necessariamente maior sensibilidade ou fragilidade — temperamento e resposta fisiológica também influenciam a reação. “Duas pessoas podem ser criadas na mesma casa, ter passado exatamente pela mesma situação e uma chorar mais, enquanto a outra não chora. Isso não significa, necessariamente, que uma esteja sofrendo mais”, afirma.
Chorar, por si só, não permite identificar um transtorno psicológico. A atenção deve aumentar quando um aumento repentino do choro persiste ou vem acompanhado de sinais como isolamento, perda de interesse, alterações no sono ou apetite. Dados da OMS de setembro de 2025 mostram que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, com ansiedade e depressão entre as condições mais comuns. No Brasil, a proporção de adultos nas capitais com diagnóstico médico de depressão chegou a 14,5% em 2024, ante 10,9% em 2020.
Fonte: CNN Brasil. Foto: Liza Summer/Pexels.
