Pular para o conteúdo
Publicidade
Basta de Feminicídio! Denuncie! Salve uma vida! Ligue 180
Vista aérea da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com a cúpula verde e a torre do relógio, cercada pela cidade de Aparecida (SP)
Crônica

Crônica | Entre o brinquedo e a oração: o 12 de outubro em que o Brasil brinca e se ajoelha

Compartilhar

Texto autoral da Redação FolhaIn.

Poucas datas conseguem juntar, no mesmo dia, o barulho de uma corrida de pique-esconde e o silêncio de uma vela acesa. No Brasil, é o que acontece em 12 de outubro. Na segunda-feira, o país acorda de feriado nacional para celebrar, ao mesmo tempo, o Dia das Crianças e o dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

A santa que veio do rio

Segundo a tradição, a história começou em outubro de 1717, nas águas do Rio Paraíba do Sul, no interior paulista. Os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves foram convocados pelas autoridades locais para pescar. Depois de várias redes sem peixe, uma delas trouxe o corpo de uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cerca de 40 centímetros. Na rede seguinte, veio a cabeça. A imagem, de cor escura, ganhou o nome de Aparecida por ter surgido de forma tão inesperada.

De uma devoção de beira de rio, a história cresceu: em 1930, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil. Em 1980, o dia 12 de outubro virou feriado nacional. Hoje, a Basílica Nacional, em Aparecida, no Vale do Paraíba, é um dos maiores santuários marianos do mundo e recebe romeiros de todos os cantos do país.

A data das crianças, que demorou a pegar

O Dia das Crianças tem uma história mais burocrática e mais comercial. A data foi oficializada em 1924, por decreto do governo de Arthur Bernardes, a partir de um projeto do deputado Galdino do Valle Filho, e a escolha do dia remete ao Congresso Sul-Americano da Criança, realizado no Rio de Janeiro em 1923. Por décadas, a data ficou pouco lembrada. Ganhou força a partir dos anos 1960, quando fabricantes de brinquedos e grandes marcas passaram a fazer campanhas e a transformar o dia em época de presentes.

O que as duas festas têm em comum

Parece coincidência, mas as duas celebram a mesma coisa: o cuidado com quem é pequeno e frágil. De um lado, uma imagem quebrada, recolhida do rio e recomposta por mãos simples. De outro, as crianças, que dependem de gente grande para crescer em segurança. Nos dois casos, o gesto que importa é o de proteger.

Por isso, talvez o melhor presente deste 12 de outubro não esteja na vitrine. Sentar no chão para brincar de verdade, contar a história da avó, levar a criança para tomar um sorvete sem olhar o relógio, rezar junto, quem reza, ou simplesmente ficar perto: tudo isso custa pouco e dura muito mais que a pilha do brinquedo.

Para quem vai viajar no feriadão, vale lembrar que a previsão traz possibilidade de chuva em Goiás. Leve um casaco, uma capa e muita paciência. As crianças, em geral, ainda acham que poça d’água é a melhor atração do passeio.

Texto autoral da Redação FolhaIn. Dados históricos conferidos em reportagens da National Geographic Brasil (Dia das Crianças) e do Jornal Opção e do NSC Total (Nossa Senhora Aparecida). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR).

Publicidade
Basta de Feminicídio! Denuncie! Salve uma vida! Ligue 180