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O senador Flávio Bolsonaro, de camisa branca, cercado de apoiadores e de microfones de várias emissoras, durante pronunciamento
Política

Flávio Bolsonaro não entrega o passaporte no prazo da ordem de Moraes, e PF apura se ele deixou o Brasil

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno, não entregou o passaporte à Polícia Federal (PF) no prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que terminou às 11h desta terça-feira (27), segundo o g1. A PF apura se ele deixou o país, o que a decisão proibia. Até a última atualização das reportagens consultadas, o paradeiro do senador não estava confirmado, e a equipe dele não respondeu aos questionamentos do g1.

A decisão de Moraes

Moraes decidiu na noite de domingo (25) que Flávio não pode deixar o país. A decisão corre em segredo de Justiça e foi divulgada pelo próprio senador nas redes sociais na segunda-feira (26). Segundo o g1, ela tem três determinações: proibição de contato entre Flávio e o advogado Willer Tomaz; cancelamento de todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático; e entrega, em até 24 horas, de passaportes de outras nacionalidades. O g1 informa que Flávio tem um passaporte italiano, concedido em 2023.

A investigação

A ordem faz parte do processo no STF em que Flávio e Tomaz são investigados. Na semana passada, Moraes mandou bloquear até R$ 6 bilhões de Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a negócios com bets. Segundo a apuração preliminar da PF, relatada pela Agência Brasil, Flávio seria beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que também é investigada. O senador também é formalmente investigado em outro inquérito, sobre o possível financiamento do filme “Dark Horse”, a respeito da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o g1, Flávio nega qualquer irregularidade. Ser investigado não significa ser condenado.

O que diz o senador

Em vídeo nas redes sociais, Flávio disse que visitou o pai, que está em prisão domiciliar, na segunda-feira de manhã e que, ao sair, foi intimado pela PF, “no meio da rua”, a entregar os passaportes e foi proibido de deixar o país. Segundo ele, a decisão se baseou em uma fala do irmão, Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, de que ele deveria deixar o Brasil se perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso”, afirmou, e perguntou se isso seria motivo para tirar seu passaporte. Eduardo, que está nos Estados Unidos, tem mandado de prisão em aberto no Brasil e foi condenado a quatro anos de prisão, segundo a Agência Brasil. Flávio disse que continuará na oposição ao governo Lula.

Relatos sobre o paradeiro

Na madrugada de terça, o jornal argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira de Puerto Iguazú, na Argentina, com seu documento de identidade, e de lá viajaria aos Estados Unidos em um jato particular. Mais tarde, a agência Reuters, segundo duas fontes, e o jornal The New York Times, também com duas fontes anônimas, publicaram que o senador deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos.

Esses relatos não foram confirmados oficialmente. A Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que não há registro de entrada de Flávio no país e que, ao fiscalizar a aeronave citada, não foi apresentado “nenhum plano de voo que incluísse membros da família Bolsonaro”. Um assessor do presidente argentino, Javier Milei, negou à Bloomberg que o senador tenha entrado no país, segundo o g1. A PF diz não ter registro de passagem dele por nenhum ponto regular de controle migratório brasileiro, e as autoridades brasileiras estão em contato com as argentinas.

O FolhaIn acompanha o caso e atualizará a matéria. O senador tem direito à ampla defesa.

Fonte: Agência Brasil (reportagem de André Richter) e g1 (reportagens da TV Globo e da Redação). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

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