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Linha de fogo avançando em uma encosta de vegetação de cerrado, com fumaça ao fundo
Goiás

Uso de fogo segue proibido em Goiás até 31 de outubro, com El Niño no radar e incêndios que atingiram a Chapada dos Veadeiros

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Goiás atravessa o início da primavera ainda em alerta para incêndios florestais. O decreto estadual que proíbe o uso de fogo em vegetação, com pena de dois a quatro anos de reclusão e multa, segue em vigor, e a restrição vale até 31 de outubro. A transição entre as estações, segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), mistura calor intenso, baixa umidade, pancadas isoladas de chuva e rajadas de vento, condições que ajudam o fogo a se espalhar quando há um foco.

Chuva forte, só em novembro

O gerente do Cimehgo, André Amorim, explicou ao jornal O Hoje que as chuvas do fim de setembro não marcam necessariamente o início do período chuvoso. A previsão é de precipitação irregular no fim de setembro e no início de outubro, com chuva mais persistente a partir de novembro. Enquanto isso, a vegetação pode voltar a secar depois de episódios isolados. Frentes frias podem trazer umidade, mas também ventos fortes e descargas elétricas, que provocam ou espalham focos.

Números de 2026

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, as corporações atenderam cerca de 7 mil ocorrências de incêndio em vegetação desde o início do ano, mais de 3 mil só em agosto, e mais de 140 mil hectares foram queimados no estado. Dos 4,2 mil atendimentos até julho, 90,4% foram em áreas urbanas, como lotes baldios e queima de lixo. Já os dados da Alarmes/Lasa/UFRJ apontam redução de 53,67% na área total queimada entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período de 2025.

Chapada dos Veadeiros

No fim de setembro, brigadistas do ICMBio, do Ibama e do Corpo de Bombeiros combatiam focos no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Um deles começou em 18 de setembro, por causa de uma descarga elétrica próxima ao Rio Preto; outro, na serra, teve suspeita de ação humana. Em 24 de setembro, o ICMBio informou que a área atingida nos arredores do parque havia aumentado de 338 para 580 hectares. No mesmo dia, o Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF/ICMBio) informou que o incêndio dentro do parque estava controlado e liberou a visitação, que havia sido suspensa preventivamente nas trilhas dos Saltos e do Vale do Rio Preto.

O que vem por aí

A possibilidade de um El Niño de intensidade muito forte entra no cenário de atenção: segundo a agência norte-americana NOAA, há 63% de chance de o fenômeno ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027, o que tende a agravar estiagens no Cerrado, bioma que abriga nascentes de 8 das 12 bacias hidrográficas do país. O Estado usa o Sistema Integrado de Monitoramento e Alertas de Goiás (Sima-GO), que cruza dados meteorológicos e topográficos com inteligência artificial.

Fonte: O Hoje (reportagem de Anna Salgado), Diário Goianiense e Correio Braziliense. Foto: Josemir Pereira dos Santos/Prevfogo-Ibama.

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