{"id":387,"date":"2026-11-02T08:30:00","date_gmt":"2026-11-02T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/folhain.com.br\/?p=387"},"modified":"2026-11-02T08:30:00","modified_gmt":"2026-11-02T11:30:00","slug":"de-cluny-ao-zocalo-a-origem-do-dia-de-finados-e-por-que-o-mexico-faz-festa-para-os-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/2026\/11\/02\/de-cluny-ao-zocalo-a-origem-do-dia-de-finados-e-por-que-o-mexico-faz-festa-para-os-mortos\/","title":{"rendered":"De Cluny ao Z\u00f3calo: a origem do Dia de Finados e por que o M\u00e9xico faz festa para os mortos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto autoral do FolhaIn, escrito com base em registros hist\u00f3ricos amplamente conhecidos sobre a data.<\/em><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em quase todo o Brasil, o 2 de novembro tem som baixo: passos entre t\u00famulos, flores, velas, uma reza. O Dia de Finados \u00e9 feriado nacional e, para muita gente, o dia de \u201cvisitar\u201d quem partiu. Do outro lado do continente, no M\u00e9xico, as mesmas datas costumam ganhar m\u00fasica, comida, papel picado e uma explos\u00e3o de laranja. Duas maneiras de lembrar os mortos, uma origem crist\u00e3 em comum e um caminho que se bifurcou.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma data nascida num mosteiro<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comemora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is defuntos remonta ao ano 998, quando Odilon, abade do mosteiro de Cluny, na Fran\u00e7a, determinou que os monges rezassem por todos os mortos no dia seguinte ao de Todos os Santos, em 2 de novembro. A pr\u00e1tica se espalhou pelos mosteiros e, s\u00e9culos depois, foi adotada pela Igreja em geral, que passou a dedicar o dia \u00e0 ora\u00e7\u00e3o pelas almas. A ideia \u00e9 simples: depois de lembrar os santos, lembrar tamb\u00e9m quem n\u00e3o foi canonizado, mas foi amado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse costume chegou ao Brasil com os portugueses e se enraizou nas cidades e nas vilas. Hoje, o 2 de novembro \u00e9 feriado nacional, com visitas aos cemit\u00e9rios, missas e a tradi\u00e7\u00e3o de levar flores e acender velas. Os cemit\u00e9rios ficam cheios, e \u00e9 comum ver fam\u00edlias limparem e pintarem os jazigos nos dias anteriores.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O M\u00e9xico e o encontro de dois mundos<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No M\u00e9xico, o D\u00eda de Muertos acontece em 1\u00ba e 2 de novembro. Pela tradi\u00e7\u00e3o, o primeiro dia \u00e9 dedicado \u00e0s crian\u00e7as que morreram, os \u201cangelitos\u201d, e o segundo, aos adultos. As ra\u00edzes da celebra\u00e7\u00e3o s\u00e3o anteriores \u00e0 chegada dos espanh\u00f3is: os povos mesoamericanos, como os mexicas, viam a morte como uma etapa do ciclo da vida, e n\u00e3o como um fim, e tinham rituais para honrar os antepassados. Com a coloniza\u00e7\u00e3o, esses costumes se encontraram com o calend\u00e1rio cat\u00f3lico de Todos os Santos e de Finados, e o resultado foi uma festa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00edmbolo mais conhecido \u00e9 a ofrenda, o altar montado em casa ou em pra\u00e7a p\u00fablica com fotografias dos mortos, velas, as comidas e bebidas de que gostavam, o pan de muerto, caveiras de a\u00e7\u00facar, papel picado e a flor cempas\u00fachil, de cor alaranjada, cujo caminho de p\u00e9talas, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, guia as almas de volta para casa. Em 2008, a Unesco incluiu a celebra\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dos mortos no M\u00e9xico na lista do patrim\u00f4nio cultural imaterial da humanidade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sil\u00eancio e festa<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a de tom \u00e9 o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o. No Brasil, Finados costuma ser um dia de recolhimento, mais pr\u00f3ximo da saudade e da ora\u00e7\u00e3o. No M\u00e9xico, o luto convive com o humor: a caveira vira personagem elegante, como a Catrina, e a ideia \u00e9 receber os mortos com alegria, n\u00e3o afast\u00e1-los com medo. As duas formas dizem a mesma coisa de maneiras opostas: quem se foi continua presente enquanto algu\u00e9m se lembrar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seja com uma vela acesa no cemit\u00e9rio ou com um altar de flores laranja, o gesto \u00e9 parecido: parar por um dia para dizer o nome de quem n\u00e3o est\u00e1 mais aqui.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto autoral do FolhaIn. Foto: FridaArriaga\/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto autoral: o 2 de novembro nasceu em um mosteiro franc\u00eas do ano 998 e, no Brasil, ganhou ares de saudade. No M\u00e9xico, mistura tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e f\u00e9 cat\u00f3lica e vira celebra\u00e7\u00e3o de cores.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":386,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=387"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":391,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387\/revisions\/391"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhain.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}