Hoje, 19h, estreia a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. A nação para. O coração acelera. As crianças vestem a amarelinha, os adultos prometem coisas que nem o Papai Noel atende: “se o Brasil for campeão, eu paro de fumar, caso com a sogra e aprendo a cozinhar.”
A escalação já é um ritual sagrado. Todo brasileiro de bem sabe de cor: goleiro, zagueiros, laterais, volantes, meias, atacantes… e um departamento médico do tamanho de um hospital de campanha. Não existe seleção brasileira sem pelo menos três jogadores fazendo aquele alongamento preventivo que parece mais um aviso: “hoje não, gente.”
E aí vem a narração. Ah, a narração. Um lançamento de 40 metros que cai longe do companheiro é descrito como “estratégia”. Uma bola que sai três metros pra fora virou, nos últimos anos, “quase, quase”. E quando alguém erra um passe simples na defesa, o comentarista logo aparece: “isso é experiência, ele está controlando o ritmo do jogo.”
Tem também o ritual da bandeira na janela, que sobe no domingo e só desce depois da eliminação — às vezes em outubro, sem ninguém ter coragem de tirar. E o churrasco: não importa o horário do jogo, sempre tem alguém que acende a churrasqueira “só pra dar sorte”.
Na hora do hino, o Brasil todo canta junto, com a mão no peito, mesmo sabendo só metade da letra depois do segundo verso. E vem aquele silêncio antes da bola rolar — um segundo de paz nacional, o único momento do ano em que político, vizinho brigado e cunhado chato concordam em alguma coisa: “vai, Brasil.”
Hexa vem? Só Deus sabe. Mas uma coisa é certa: hoje, às 19h, o país inteiro vai estar na mesma sintonia — torcendo, sofrendo, comemorando antes da hora e, se precisar, inventando uma desculpa nova para o próximo jogo.
Boa sorte pra nós. Vai, Brasil!
Fonte: Redação | Gemini – Google
