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Vista panorâmica do rio Paraná, entre colinas verdes, na divisa entre Brasil e Paraguai
Humor

Sátira | Manual do brasileiro que vai se mudar para o Paraguai: o que levar na mala além da reclamação

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Texto de humor. Personagens, diálogos e situações são fictícios.

Dizem que cada vez mais brasileiro está de olho no Paraguai. E dá para entender: segundo a Forbes Brasil, o vizinho cobra 10% de IVA, 10% de imposto de renda de pessoa física e 10% sobre o lucro das empresas. Já aqui, nós preferimos não olhar o holerite de perto, para não estragar o fim de semana. Diante do movimento, a Redação preparou, em caráter inteiramente humorístico, o guia definitivo de quem pretende atravessar a ponte com a mudança no porta-malas.

1. Aprenda o idioma essencial

Em espanhol, troco se diz vuelto. Em guarani, “obrigado” é aguyje e “como vai?” é mba’éichapa. Quem é de Goiás já sai na frente: depois de explicar para um turista o que é “uai”, qualquer idioma parece fácil.

2. Domine o tereré

O tereré é aquela erva-mate gelada, servida na guampa e passada de mão em mão. O brasileiro recém-chegado olha a térmica, pergunta onde fica o açúcar e ouve a primeira lição de paciência do país. A segunda lição é que não, não é “chimarrão gelado”, e é melhor parar de falar isso antes do segundo gole.

3. Esqueça o “vou ali e já volto”

Na fronteira, “ali” pode ser outro país. Há relatos, inventados agora, de quem saiu para comprar pão e só se deu conta de que havia mudado de nacionalidade quando o troco veio em outra moeda.

4. Prepare-se para o choque tributário

O imposto de 10% vai causar desconfiança imediata. O brasileiro vai conferir o valor três vezes, abrir o aplicativo do banco, ligar para o contador e perguntar: “Só isso?”. O contador, aliviado, vai chorar. Na dúvida, o emigrante ainda ligará para aquele cunhado que “entende de imposto”, e o cunhado dará uma explicação com muita convicção e nenhuma fonte.

5. O que levar na mala

Sofá, TV e geladeira, que talvez saiam mais baratos de comprar do que de despachar. Também convém levar a fé inabalável de que o primo conhece alguém que resolve qualquer coisa, e o hábito de perguntar “tem desconto à vista?” até em fila de cartório.

6. Cuidado com o grupo de WhatsApp

Em 48 horas, o grupo “Brasileiros em Assunção” terá regimento interno, ata, fiscal de regra e um tio mandando bom-dia com flor animada às 5h12. A primeira discussão será sobre o melhor pão de queijo da cidade, e não será pacífica.

7. A saudade vem de onde menos se espera

Depois de três semanas, o emigrante descobrirá que sente falta do feijão da mãe, do trânsito reclamado em voz alta e do vizinho que liga o som no sábado de manhã. Nada disso consta no cálculo de custo de vida.

Para encerrar, a parte séria

Brincadeiras à parte, mudar de país é uma decisão grande, com regras de residência, burocracia e planejamento. Se o plano for de verdade, consulte um contador de verdade, e não o cunhado.

Texto de humor da Redação FolhaIn. O dado real citado: segundo a Forbes Brasil (maio de 2026), o Paraguai aplica alíquota de 10% de IVA e de imposto de renda para pessoas físicas e empresas. Foto: Diego3336/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

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