Na quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma carta em que contesta o resultado da eleição presidencial. Na primeira versão, ele se declarava “presidente eleito do Brasil”; cerca de meia hora depois, o termo foi trocado por “líder”, segundo a Agência Brasil. O g1 registra que ele manteve os trechos em que não reconhece o resultado e afirma que a eleição foi roubada. Segundo a Agência Brasil, as afirmações são feitas sem provas e contrariam a apuração, que foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo próprio PL.
O que diz a carta
De acordo com a Agência Brasil, o senador critica a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender a votação até as 19h, que, segundo ele, foi tomada “por cima da competência do TSE”. A reportagem lembra que Zanin atendeu a pedidos das campanhas do PL e do PT e que as duas horas extras computaram 34.393 votos, em um eleitorado de cerca de 158,7 milhões de pessoas. Lula teve 64 milhões de votos, e Flávio, pouco mais de 59 milhões.
Flávio também critica a decisão do ministro Alexandre de Moraes que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega dos passaportes. A Agência Brasil informa que a carta agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos EUA, Donald Trump, pelo apoio recebido, e que o senador diz que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos: “Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.” A primeira versão trazia um brasão com a grafia “Brazil” e a denominação “Estados Unidos do Brazil”, nome que deixou de ser usado em 1967.
As reações
Segundo o g1, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse na quinta (29) que não gostou do conteúdo da carta e que nem Jair Bolsonaro sabia da viagem do filho. “Ele passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos”, afirmou. Um levantamento do g1 mostra que apenas um dos 15 aliados que acompanharam Flávio no discurso da noite do segundo turno compartilhou a carta: o deputado José Medeiros (PL-MT), que divulgou a versão com “presidente eleito”. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, atribuiu a autodeclaração a um “erro de confecção”. Partidos de esquerda divulgaram nota de repúdio à contestação do resultado, e, segundo o g1, aliados de Lula o orientaram a evitar a polêmica.
Movimentação para 2030
O g1 informa que o episódio abriu espaço para movimentos de olho na eleição de 2030. Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avaliam que o desgaste de Flávio pode favorecer uma reorganização da direita em torno do nome dele, e a reportagem cita, nos bastidores, a possibilidade de uma chapa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, na quarta, Tarcísio disse que um segundo mandato bem-sucedido “abre uma possibilidade”, mas que isso “se avalia em grupo, não sozinho”. Segundo o g1, ele aconselhou Flávio a não deixar o Brasil e declarou publicamente que compreende a decisão, mas não concorda com ela.
Flávio é investigado em dois inquéritos no STF, um sobre suspeita de lavagem de dinheiro ligada a plataformas de apostas e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, e nega irregularidades.
Fonte: Agência Brasil (reportagem de Luciano Nascimento) e g1 (reportagem de Victória Cócolo). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

