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Política

Imprensa internacional repercute a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil; PF diz que restrição a passaportes não o torna foragido

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Desde terça-feira (27), jornais e agências do exterior repercutem a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Derrotado no segundo turno por Lula, ele chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), depois de a Justiça determinar que entregasse seus passaportes. Vários veículos estrangeiros, e também brasileiros, usam o termo “fuga”. O FolhaIn registra cada versão com a sua fonte. A Polícia Federal (PF), em nota, disse que a existência de restrições a documentos de viagem, “por si só, não caracteriza a condição de foragido”. O senador é investigado e nega qualquer irregularidade.

Reuters e New York Times

A agência Reuters foi uma das primeiras a noticiar, na terça, que o senador embarcou para os Estados Unidos, citando fontes. O jornal The New York Times, também com fontes anônimas, publicou a mesma informação e destacou que ele deixou o Brasil depois de perder a eleição e de a Justiça determinar a apreensão de seu passaporte, segundo levantamento da Agência Brasil.

Imprensa argentina

O argentino Infobae foi um dos primeiros a noticiar, ainda na terça, que o senador teria entrado na Argentina por Puerto Iguazú e embarcaria em um jato particular. O La Nación afirmou que fontes próximas a ele disseram que os EUA estariam diretamente envolvidos na saída, e lembrou que, no governo de Donald Trump, o país tem se tornado refúgio da família Bolsonaro: o irmão, Eduardo, também está lá. Mais tarde, a imigração argentina confirmou a entrada do senador e da família no país.

El País e The Guardian

O espanhol El País lembrou que o senador se recusou a aceitar a vitória de Lula logo depois da apuração, e que, em 2022, o pai dele, Jair Bolsonaro, também não reconheceu a derrota e viajou aos Estados Unidos antes da posse de Lula, mas acabou voltando ao Brasil. O britânico The Guardian disse que o senador estaria a caminho dos EUA e que a saída pode selar o destino da extrema direita brasileira, lembrando que Jair Bolsonaro está preso, condenado por tentativa de golpe, e que Eduardo vive nos EUA.

Al Jazeera e TIME

A Al Jazeera, em texto com material da AP e da Reuters, informou que um alto funcionário do Departamento de Estado americano disse que o governo Trump concederá vistos ao senador e à família. A reportagem cita o presidente Lula, que chamou a saída de vergonhosa e disse que “uma pessoa que sai escondida do seu país deve ter algo a esconder”, e o deputado democrata Joaquin Castro, para quem “perder uma eleição não é motivo para asilo”. Segundo a Al Jazeera, Trump disse que a eleição brasileira “parecia outra eleição fraudada”, e a reportagem observa que nenhuma evidência de fraude surgiu.

A revista TIME informou que o senador chegou a Miami na quarta, com a esposa e as duas filhas, depois de viajar do norte da Argentina a Guayaquil, no Equador, e de lá para a Flórida. A revista diz que a ordem do ministro Alexandre de Moraes, sigilosa, citou risco de fuga e os “recursos financeiros significativos” do senador. Também registra que o horário extra de votação, que Trump chamou de estranho, teve menos de 35 mil votos, cerca de 0,03% do total, e que o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que as alegações de fraude de Trump estavam “completamente erradas”. Segundo a Al Jazeera e a TIME, na segunda-feira (26) o senador havia dito que nunca pensou em sair do país e que ficaria para liderar a oposição, e o PL passou a aceitar o resultado.

A investigação

O senador é investigado no Supremo Tribunal Federal em um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro ligada a plataformas de apostas, em conjunto com o advogado Willer Tomaz, e em outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. Segundo a TIME, ele e Tomaz negam qualquer conta conjunta ou vínculo financeiro. Na terça (27), outra decisão do STF mandou a PF investigar suposto financiamento estrangeiro de campanha. A revista lembra que ele perde algumas proteções parlamentares quando o mandato no Senado terminar, em 31 de janeiro.

Fonte: Agência Brasil (reportagem de Iara Balduino), Al Jazeera, TIME (reportagem de Miranda Jeyaretnam e Connor Greene) e g1. Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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