O Brasil monitora o Pacífico para prever o El Niño, mas já convive com um mecanismo de estiagem produzido dentro das próprias fronteiras: ao desmatar a floresta amazônica, o país reduz a umidade disponível para formar chuvas na própria Amazônia e na região central, segundo análise publicada pela CNN Brasil. O fenômeno não é uma classificação meteorológica oficial, mas pode produzir efeitos semelhantes ao El Niño — menos chuva, mais calor e estiagens prolongadas.
A floresta funciona como parte ativa da produção do clima: a umidade trazida do Atlântico precipita sobre a Amazônia, infiltra-se no solo e retorna à atmosfera pela evapotranspiração das grandes árvores, renovando a carga de vapor que avança para o Centro-Oeste e o Sudeste. O chamado “arco do desmatamento”, nas bordas sul e leste da Amazônia, já apresenta perda de vegetação nativa superior a 25% em diversas áreas — patamar que, segundo estudo publicado na revista científica Science Advances, poderia levar a floresta a um ponto de ruptura permanente no ciclo hidrológico.
O impacto já aparece nos reservatórios do Brasil central: um estudo da Universidade de São Paulo identificou queda de até 47% nas vazões afluentes de hidrelétricas como Furnas, Três Marias e Serra da Mesa desde 2012. Para especialistas, menos água significa menor geração hidrelétrica, mais uso de termelétricas e energia mais cara — um efeito que se propaga às tarifas, à indústria e à inflação.
Fonte: CNN Brasil. Foto: Reprodução/CNN Brasil.
