Desapropriação do Jóquei Clube de Goiás tem impasse entre Prefeitura de Goiânia e diretoria do clube

Redação
Por Redação
Sede do Jóquei Clube de Goiás, projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha em 1962, está abandonada e é alvo de disputa entre o clube e a Prefeitura de Goiânia.

A sede do Jóquei Clube de Goiás, patrimônio arquitetônico localizado no Setor Central de Goiânia, está no centro de uma disputa entre a Prefeitura de Goiânia e a diretoria do clube. Desapropriada por decreto em 2025, a área de quase 22 mil metros quadrados — projetada em 1962 pelo renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha — ainda não passou ao controle do município por causa de uma briga em torno de dívidas milionárias e do valor da indenização.

O imóvel foi declarado de utilidade pública pela prefeitura após anos de abandono. O processo tramita no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) desde novembro, e uma audiência de conciliação realizada no dia 27 de abril terminou sem acordo.

O nó da negociação

O clube reivindica o pagamento de R$ 50 milhões pela desapropriação. A prefeitura, por sua vez, alega que o Jóquei acumula mais de R$ 250 milhões em dívidas com o município — entre IPTUs atrasados da sede e do hipódromo da Lagoinha, multas e outros tributos — e não quer depositar a indenização sem antes compensar esses débitos.

“O município não pode correr o risco de fazer um pagamento para alguém que está devendo a ele”, afirmou o procurador-geral Wandir Allan de Oliveira.

A presidente do clube, Nívea Cristina de Paula, contesta os cálculos. Ela aponta inconsistências nos valores cobrados de IPTU — que saltaram de cerca de R$ 4 milhões anuais para R$ 20 milhões em 2018 — e questiona a desvalorização de R$ 26 milhões aplicada pela prefeitura sobre a construção, em razão do estado de abandono do prédio. “É uma obra muito bem feita, com construção rígida. Isso é apurável em qualquer perícia”, argumenta.

Prazo para acordo

Caso não haja entendimento até o fim de maio, o procurador-geral afirmou que a prefeitura seguirá pela via judicial e espera obter a posse do imóvel em até 30 dias. Um novo encontro entre as partes está marcado para o dia 6 de maio, com visita conjunta à sede, às margens da Avenida Anhanguera.

O futuro da sede ainda é indefinido. A Secretaria de Goiânia informou que há propostas sendo desenvolvidas em parceria com o Governo de Goiás. Já o clube planeja transferir suas atividades para uma nova sede às margens da GO-020, próximo ao Oscar Niemeyer.

Foto: Fábio Lima / O Popular
Fonte: G1 Goiás / Rafaella Barros

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