O barril de petróleo chegou a US$ 109 nesta quinta-feira (2), acumulando alta de mais de 7% no dia, enquanto economistas e analistas internacionais tentavam decifrar as declarações do presidente americano Donald Trump sobre o conflito com o Irã — sem encontrar sinais claros de quando a guerra pode terminar.
A incerteza tem endereço certo: o Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa uma parcela expressiva do petróleo consumido no mundo. Enquanto o conflito persistir, o mercado global de energia segue refém da tensão na região.
Mercados sem respostas, preços sem teto
Para o professor de Relações Internacionais Oliver Stuenkel, o discurso de Trump não trouxe nenhum alívio às mesas de negociação. Segundo ele, os investidores esperavam algum sinal concreto de encerramento do conflito — e não o receberam. “Havia uma expectativa de que Trump diria que estavam prontos para encerrar o conflito, ou diria especificamente como pretendia fazê-lo. Isso não aconteceu”, avalia.
A reação dos mercados foi imediata. As bolsas asiáticas, que dependem fortemente do petróleo que passa pela zona de conflito, registraram quedas expressivas no Japão e na China. Na Europa, os principais pregões também fecharam em baixa. Nos Estados Unidos, o Dow Jones chegou a despencar ao longo do dia, encerrando em leve queda. No Brasil, as ações da Petrobras — que se beneficiam da alta do petróleo — suavizaram o impacto, mantendo o dólar e a bolsa praticamente estáveis.
Compra antecipada aquece ainda mais os preços
Fernando Siqueira, chefe de análise de investimentos da Eleven, explica que a corrida por petróleo antes de uma eventual escassez é um dos principais fatores por trás da disparada. Regiões que dependem do produto importado passam a comprar de forma preventiva, com receio de ficarem desabastecidas — e isso pressiona ainda mais as cotações para cima. “É isso que a gente tem visto desde que o conflito começou”, afirma.
Nenhum cenário traz alívio
O ponto mais preocupante levantado pelos analistas é que, independentemente do desfecho do conflito, os preços do petróleo devem seguir elevados. Se os Estados Unidos recuarem, o Irã sai fortalecido e passa a ter ainda mais controle sobre o fluxo de combustível pelo Estreito de Ormuz. Se o conflito se intensificar, a instabilidade no fornecimento global se aprofunda.
“O Irã estaria muito empoderado, com a capacidade de cobrar um pedágio por todos os barcos que passam pelo Estreito de Ormuz. Isso criaria uma incerteza generalizada no mercado global de petróleo e gás”, alerta Stuenkel.
Para Siqueira, o mercado seguirá reagindo a cada novo desdobramento. “Caso não haja algum tipo de trégua ou acordo de paz, o preço do petróleo tende a ficar elevado ou até continuar subindo.”
Foto e Fonte: Reprodução / Jornal Nacional / G1

