Os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), com vitórias em redutos republicanos que não ocorriam havia gerações, segundo a agência Reuters, em texto publicado pela Agência Brasil. A reportagem descreve o resultado como uma crítica contundente ao presidente Donald Trump, reeleito há dois anos.
Onde os democratas venceram
De acordo com a Reuters, o Kansas elegeu seu primeiro senador democrata desde a Grande Depressão, há quase um século. Na Carolina do Sul, estado em que Trump venceu por quase 18 pontos em 2024, os democratas derrotaram o candidato ao Senado escolhido por ele. No Texas, o maior estado republicano, o partido conquistou uma cadeira no Senado e tirou do cargo o governador Greg Abbott, que cumpria o terceiro mandato, encerrando uma sequência de derrotas de décadas.
Segundo a agência, eleitores de áreas conservadoras mudaram de lado impulsionados pela frustração com a impopular guerra contra o Irã, pelo alto custo de vida e pela forma como Trump governa. Nesta terça (3), a Agência Brasil já havia publicado que o presidente tinha desaprovação de 60%, nível apontado como histórico.
O que muda em Washington
Os resultados abrem uma era de governo dividido, depois de dois anos em que o Congresso, controlado pelos republicanos, raramente exerceu seu poder para conter Trump. Quando assumirem, em janeiro, os democratas devem usar a maioria para investigar o governo, a família do presidente e seus aliados e para exigir concessões em projetos importantes. No Senado, poderão barrar indicados de Trump, inclusive a juízes da Suprema Corte, se surgir uma vaga. “Os norte-americanos votaram pela mudança, e agora os democratas devem cumprir o prometido”, disse o líder da minoria democrata, Chuck Schumer, que fala em uma “reformulação geracional do mapa do Senado”.
Trump, que está impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato, aceitou o resultado e parabenizou os democratas em entrevista à Fox News, segundo a reportagem. Ele disse que trabalhará com o partido em temas como imigração, mas ameaçou vetar qualquer projeto “insano” que for aprovado. A Reuters avalia que o novo equilíbrio de poder pode acelerar a condição de presidente em fim de mandato, com as atenções se voltando para a corrida presidencial de 2028.
Fonte: Agência Brasil (reportagem da Reuters, de Joseph Ax, Brad Heath e Jason Lange). Foto: Lorie Shaull/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
