A uma semana do primeiro turno, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), integrante do Diretório Nacional do partido, avalia que a eleição presidencial deve ser decidida apenas no segundo turno. Em entrevista à CartaCapital, ele disse acreditar que a maioria dos eleitores da chamada “terceira via” já está decidida para a votação do próximo domingo (4), mas projetou que o presidente Lula (PT) sairá das urnas como o mais votado.
Para Tatto, iniciativas recentes do governo, como o reajuste do Bolsa Família, mudaram o foco do debate eleitoral, que nas últimas semanas vinha sendo dominado pela crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Relação com Vorcaro
O deputado também citou as revelações sobre a proximidade entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, como um fator que fortalece a campanha petista. “Isso dá um certo alento para entrarmos no segundo turno em primeiro lugar. O segundo turno é outra eleição, o debate é mais tête-à-tête, e fica mais difícil para Flávio se esconder e mentir”, afirmou.
Tatto resume o clima da campanha de Lula como de “otimismo responsável”. Mesmo sem outras candidaturas competitivas de esquerda ou centro-esquerda que pudessem transferir votos ao presidente, ele acredita que é possível atrair eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
“O eleitor de direita que não vota em Flávio não quer Bolsonaro, não gosta de Bolsonaro”, disse. Segundo ele, parte desse eleitorado prefere Lula por considerá-lo mais preparado ou por não querer “uma aventura com um desconhecido”.
O exemplo de 2006
O petista lembrou que o PT nunca venceu uma eleição presidencial no primeiro turno e costuma crescer na segunda etapa. Ele comparou o cenário atual ao de 2006, quando Geraldo Alckmin, então no PSDB, teve 39,9 milhões de votos no primeiro turno e caiu para 37,5 milhões no segundo. Naquele ano, Lula saltou de 46,6 milhões para 58,2 milhões de votos.
A pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (24) mostra Lula à frente no primeiro turno, com 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, há empate técnico: 47% para Lula e 45% para Flávio.
Fonte: CartaCapital (reportagem de Leonardo Miazzo). Foto: Ricardo Stuckert/Campanha.
