A rede de TV Al Jazeera rejeitou os ataques feitos pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na última quinta-feira (24).
No pronunciamento, em que respondeu às críticas internacionais contra a ofensiva de Israel em Gaza e as ações na Cisjordânia ocupada, Netanyahu citou nominalmente a emissora. Ele classificou a Al Jazeera como um dos “veículos de mídia tóxicos” do mundo e a acusou de tentar fazer “lavagem cerebral em mentes jovens para odiarem Israel”.
“Campanha contínua”
Em nota divulgada na sexta-feira (25), a Al Jazeera Media Network, sediada no Catar, afirmou que “rejeita categoricamente” as declarações e as descreveu como mais um capítulo de uma “campanha contínua” de Israel contra a emissora e seus jornalistas. Para a rede, o objetivo é impedir que ela continue a relatar os fatos no local, documentar os acontecimentos e dar espaço a diferentes vozes.
A emissora disse ainda ser especialmente preocupante que esse tipo de discurso tenha sido feito na tribuna da ONU, pelo risco que representa à segurança de seus profissionais que trabalham em campo.
Jornalistas mortos em Gaza
Segundo a Al Jazeera, mais de 270 jornalistas foram mortos em Gaza desde o início da guerra, pelo menos 12 deles trabalhando para a rede. A emissora afirma que alguns desses profissionais foram alvo de campanhas de difamação antes de serem atingidos. Ainda de acordo com o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, entre os mais de 73 mil mortos em Gaza, ao menos 706 eram familiares de jornalistas palestinos.
Israel tem adotado medidas contra a emissora há anos. Há dois anos, o gabinete israelense aprovou o fechamento da Al Jazeera no país, com o fechamento de seus escritórios e a proibição de suas transmissões, com base em uma lei que permite suspender veículos estrangeiros considerados uma “ameaça à segurança”.
Na nota, a rede afirmou que essas medidas não atingem apenas a Al Jazeera, mas também o direito de qualquer pessoa ao acesso a informações verdadeiras e a uma cobertura jornalística independente.
Fonte: Al Jazeera. Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters.
