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Prédio da sede do Banco Central do Paraguai, de blocos claros, visto de longe acima de árvores, sob céu escuro
Mundo

Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após o Ueno Bank, banco digital com 3 milhões de clientes, entrar em resolução

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O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia na terça-feira (3), pouco depois de anunciar um procedimento de resolução para o Ueno Bank, banco digital em que foi detectado um déficit no índice de solvência. O anúncio alarmou os clientes, que se reuniram diante das agências fechadas, segundo a Reuters, em texto publicado pela Agência Brasil.

O que aconteceu

Clientes ansiosos, incluindo aposentados que recebem pelo Ueno, ficaram do lado de fora das agências enquanto crescia a incerteza sobre o futuro do banco. “Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência um cliente, Manuel Cáceres, de Ñemby, na região metropolitana de Assunção. O Ministério Público paraguaio pediu a abertura de uma investigação criminal sobre os fatos envolvendo o banco.

Carvallo, que comandou o Ueno até agosto de 2023, e o Banco Central vinham sob pressão pela forma como supervisionaram a instituição e por suas ligações políticas. Em entrevista coletiva, ele afirmou que sua saída ajudará a acalmar a controvérsia e permitirá que o Banco Central e a Superintendência de Bancos trabalhem sem disputas políticas, mas disse que continuará no cargo enquanto os procedimentos envolvendo o Ueno estiverem em curso.

O banco e a garantia aos depositantes

O Ueno, de propriedade majoritária do Grupo Vázquez, tem cerca de 3 milhões de clientes e administra cerca de 850 milhões de dólares em recursos públicos no país. Cresceu rapidamente, seguindo um caminho semelhante ao de plataformas digitais como Monzo e Nubank. Nos últimos meses, enfrentou escrutínio regulatório por supostas concessões excessivas de crédito a empresas ligadas ao grupo controlador, o que preocupou investidores e pesou sobre os títulos em dólar do banco com vencimento em 2031 e sobre os títulos soberanos do Paraguai. O Grupo Vázquez e o Ueno não responderam de imediato aos pedidos de comentário da Reuters.

Segundo o Banco Central, a resolução busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira, e o caso é isolado, sem indicar problemas mais amplos no sistema. A Superintendência de Bancos designou interventores para verificar a situação patrimonial do Ueno. O BC informou que os depositantes têm garantido o pagamento de até 75 salários mínimos (cerca de 39 mil dólares), conforme a lei de garantia de depósitos, e que o pagamento aos aposentados também está assegurado. Para a Reuters, o episódio testa a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul para o capital estrangeiro.

Fonte: Agência Brasil (reportagem da Reuters, de Daniela Desantis). Foto: Cmasi/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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