Especialistas independentes da ONU cobraram nesta quarta-feira (21) que a Meta, dona do Facebook, do WhatsApp e do Instagram, investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral no Brasil. A nota é assinada por nove especialistas ligados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
O que motivou a cobrança
A manifestação ocorreu depois de relatos de usuários de que a inteligência artificial do WhatsApp se recusava a criar imagens da campanha de Lula (PT), mas aceitava pedidos semelhantes relacionados a Flávio Bolsonaro (PL). O caso levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pedir explicações à empresa. Na terça-feira (20), a Meta afirmou ter cumprido as determinações da Corte para garantir tratamento igual aos dois candidatos no segundo turno, e o TSE pediu um parecer do Ministério Público Eleitoral sobre as medidas adotadas.
Os incidentes citados
Entre os incidentes relatados que os especialistas mencionam estão interrupções temporárias da conta de campanha de um dos candidatos, diferenças no engajamento do público, nos feeds, na contagem de visualizações e no alcance, e restrições a publicações da campanha no Instagram. Também são citadas diferenças entre os principais partidos na geração de imagens por IA, nos resultados de busca de canais do WhatsApp, nos Stories dos candidatos e na distribuição de conteúdo político.
O que eles pedem
Para os especialistas, as plataformas digitais são atores fundamentais no debate democrático, e restringir o alcance de contas afeta o acesso à informação e a liberdade de associação, além de comprometer as próprias eleições. Eles defendem que a Meta reavalie seus sistemas de moderação, recomendação e IA, explique por que a expressão política parece restringida, corrija impactos desiguais e garanta recursos efetivos. A nota afirma que algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação não devem se tornar “árbitros invisíveis” da discussão política.
Os relatos são alegações de usuários e dos especialistas, e a Meta nega ter descumprido as determinações da Justiça Eleitoral.
Fonte: g1. Foto: Vassil/Wikimedia Commons (CC0).
